quarta-feira, 19 de março de 2014

SONHO INTERROMPIDO. OU: UMA HOMENAGEM A LEIDSON ACÁCIO ALVES SILVA


Artigo   transcrito do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Rodrigo Constantino
O leitor nunca deve ter ouvido falar em Leidson Acácio Alves Silva. Mas certamente está cansado de ouvir falar em Amarildo, não é mesmo? Leidson não desperta a mesma comoção popular, pois não cai nas graças das ONGs de direitos humanos e dos artistas e "intelectuais" da esquerda festiva. Mas sua trajetória é nobre, e muito triste:
Depois de vir de Minas Gerais para o Rio com a mãe e os três irmãos, ainda na infância, um desentendimento familiar levou o então adolescente a morar nas ruas. Neste período, ele chegou a trabalhar como camelô e borracheiro. Aos 17 anos, Leidson só tinha cursado até a terceira série do Ensino Fundamental. Aos 23, apenas seis anos depois, já era cadete da PM. Além do supletivo que garantiu sua formação, ele também atuou como motorista de reboques na Operação Lei Seca prestando serviços para uma empresa privada.
Sua infância, infelizmente, não é exceção nas "comunidades" que alguns artistas gostam de enaltecer. Famílias desestruturadas, crianças abandonadas, adolescentes nas ruas, falta de ícones decentes para se espelhar. Mas Leidson não escolheu o caminho mais fácil. Não partiu para o crime, o tráfico de drogas, nada disso.
Ao contrário: quis batalhar, trabalhar, ser alguém. E aqui, uma vez mais, a esquerda caviar mostra que vive em uma bolha. Pois quem salvou Acácio deste rumo perdido foi... uma pastora evangélica de Nova Iguaçu. Sabemos como os "intelectuais" que "não" têm preconceito algum nutrem profundo preconceito com os evangélicos. Nessas "comunidades", entretanto, muitas vezes a alternativa é entre o pastor e o traficante.
Seu sonho era entrar para o BOPE um dia, um sonho louvável, uma vocação. Esse belo sonho foi interrompido por um tiro na cabeça, disparado por traficantes durante patrulhamento no Parque Proletário. Acácio era subcomandante da UPP da Vila Cruzeiro. Sua ascensão profissional, assim como sua vida, foram abruptamente destroçadas pela covardia de criminosos que escolheram essa vida nefasta.
Enquanto a vida de Leidson Acácio acabava, junto com seus sonhos, provavelmente uma parcela não desprezível da "festiva" falava de Amarildo, entre uma carreirinha de cocaína e outra, ajudando a financiar os mesmos traficantes que mataram o policial.
Não esperem campanhas de apoio à família do policial, ou festas com gente famosa para levantar recursos para ONGs de seus companheiros em nome dos pobres. Esse pessoal costuma aparecer em cena apenas quando é para difamar a polícia e para defender bandidos.
Os honestos, do lado da lei, de origem muito humilde, mas que venceram os obstáculos e melhoraram de vida, esses não ajudam na narrativa de vitimização dos vagabundos que levam o terror a tantos inocentes, inclusive (e principalmente) aos mais pobres.
Mas saiba, Leidson, que sua morte não foi em vão. E aos seus familiares e amigos, saibam que seu sofrimento é compartilhado por milhões de brasileiros, uma maioria silenciosa, que não goza dos holofotes da mídia, com artistas famosos em campanha para dar destaque, mas que ainda assim lamenta profundamente a perda, e alimenta uma indignação com a impunidade e com a deturpação dos valores morais deste país, que trata bandido como vítima da sociedade e ignora aqueles heróis que combatem esses bandidos.

Rodrigo Constantino é Economista. Originalmente publicado na Veja em 15 de Março de 2014.


segunda-feira, 17 de março de 2014

CARTEIRA PRETA

Transcrito da Revista Brasileiros - Por   Luiza Villaméa

Carlos Alberto Augusto, 70 anos completados no dia 1o de abril, fez questão de vestir smoking para ser entrevistado pela Brasileiros. No salão de seu cabeleireiro em São Paulo, depois de ter os cabelos cuidadosamente escovados, ele explicou o motivo do traje: “Tenho o maior respeito pelas Forças Armadas. Como nunca fui militar e nunca tive farda ou uniforme de festa, a partir de agora vou passar a me apresentar de smoking, em respeito às Forças Armadas. E essa gravatinha preta que está no meu pescoço é em respeito às vítimas do terror”. Entre 1970 e 1977, o delegado trabalhou como investigador do DOPS de São Paulo, na equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury. Conhecido pela crueldade nas sessões de tortura, Fleury morreu em maio de 1979, depois de cair de sua lancha, em Ilhabela, no litoral paulista. O antigo chefe é um dos heróis do delegado Augusto, que ganhou o apelido Carteira Preta nos tempos de investigador do DOPS. Ele conta que a alcunha se deve ao fato de ter usado por muitos anos uma carteira funcional de cor preta.

Os outros dois heróis nomeados pelo delegado são o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra e José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo. Brilhante Ustra chefiou entre 1970 e 1974 o DOI-Codi de São Paulo, um dos mais truculentos centros de repressão do País. Cabo Anselmo, por sua vez, jamais alcançou a patente pela qual ficou conhecido. Líder da Revolta dos Marinheiros de 1964, ele depois se infiltrou em organizações de resistência armada à ditadura, que ajudou a dizimar com suas delações. O investigador Carteira Preta também assumiu o papel de infiltrado nos anos 1970. Com o codinome César, ele atuou em parceria com Cabo Anselmo em pelo menos uma temporada, que culminou com a morte de seis guerrilheiros, no chamado Massacre da Chácara São Bento, em Abreu e Lima (PE). “Procurei cumprir minha missão, que é salvar vidas”, afirma o delegado, ao falar sobre o massacre. Na Justiça Federal, tramita uma ação em que ele é acusado de participar do desaparecimento de um corretor da Bolsa de Valores de São Paulo, Edgar de Aquino Duarte, antigo colega de Cabo Anselmo na Marinha. “Não tem nenhuma prova de que eu tenha prendido esse cidadão”, diz o delegado.
Ele também garante que não foi torturador, embora seu nome conste de relação de algozes preparada por ex-presos políticos. Em maio do ano passado, três meses depois de transferido para Itatiba, no interior paulista, o delegado foi alvo de um protesto organizado por ativistas da Frente de Esculacho Popular. Inspirado em ações realizadas na Argentina e no Uruguai, o grupo procura localizar os torturadores da época da ditadura e denunciá-los em público. Na ocasião, panfletos com um resumo biográfico não autorizado do delegado foram distribuídos na cidade. “Esse é um esquema montado para desmoralizar as autoridades policiais. Quem me conhece, me ama. E acaba me chamando de Carteirinha”, diz. Aposentado desde o dia 5 de fevereiro deste ano, o delegado conta nas páginas seguintes a sua versão da história.
Brasileiros – Onde o senhor estava quando ocorreu o golpe de 1964?
Augusto – Eu tinha 20 anos, trabalhava como vendedor numa multinacional. Encontrava-me na rua Florêncio de Abreu, próximo ao Mosteiro dos Jesuítas no Largo São Bento, no centro de São Paulo. Lembro de papéis picados jogados dos edifícios, hinos pátrios tocando alto em apoio às Forças Armadas, que nos salvaram do comunismo. Foi uma festa com liberdade e segurança total. Teve apoio da imprensa, da sociedade brasileira, dos informantes e alcaguetes.

Brasileiros – Como se decidiu pela carreira de policial?
Augusto – O policial de verdade nasce policial. Tem caráter de policial, sangue de policial nas veias. E precisa ter coragem e muita sorte. Foram 44 anos, dois meses e cinco dias de profissional da polícia. No total, tenho certidão de 55 anos trabalhados em prol do Brasil, sempre recolhendo impostos.
Brasileiros – E o apelido Carteira Preta?
Augusto – Sou policial por rígido concurso público. Em estágio probatório, fui designado para cumprir minha missão no DOPS, onde minha carteira funcional era preta. Lá também trabalhavam ex-guardas civis, com carteira funcional vermelha, escrivães com carteira verde, e delegados, que até hoje usam carteira vermelha. Como investigador de polícia, tira de verdade, me restou esse apelido, Carteira Preta. Com a carteira, fui Policial do Mês, Policial do Ano. Recebi vários elogios de secretários de Segurança, procuradores do Estado, governadores. Mas o gostoso e o que me honra muito é ser elogiado pelas vítimas, pela sociedade que reconhece os bons policiais. E é à sociedade brasileira que devo satisfações, a quem tenho de prestar contas. É ela quem paga meu salário, hoje discriminado, ganhando menos por ser aposentado.
Brasileiros – Entre os presos políticos, o senhor é também conhecido como Carlinhos Metralha. Por quê?
Augusto – A mentira é sempre a arma dos comunistas, terroristas, ladrões do povo. Tomei conhecimento desse apelido quando entrei com uma ação contra o maior grupo de mídia do Brasil, que divulgou na televisão uma reportagem falando nesse apelido. A ação que impetrei foi difícil, desgastante, mas ganhei uma vergonhosa indenização na Justiça. Afinal, enfrentei bancas de advogados com fortes ligações com o judiciário. Esses comunistas piratas, terroristas que me respeitavam muito, inventaram isso. Eu tinha minha metralhadora de nove milímetros sempre nas mãos. Foi comprada por mim, mas o Estado me expropriou.
Brasileiros – Expropriou? Como?
Augusto – Quando eu saí do DOPS e fui para o DEIC (Departamento Estadual de Investigações Criminais), o delegado que estava no DOPS patrimoniou a metralhadora, não sabendo que era minha. Eu não pude pegar. Ficou para o Estado, sem minha autorização. Era uma Smith de nove milímetros, comprada no Exterior.
Brasileiros – Entre 1970 e 1977, o senhor trabalhou diretamente com o delegado Fleury, no DOPS, em São Paulo. É considerado o braço direito do delegado. O senhor fazia exatamente o quê?
Augusto – Nunca fui braço direito do herói doutor Sérgio
Paranhos Fleury. Este sim, foi delegado de polícia comprometido com a sociedade, cumpriu sua missão. Eu procurava fazer o melhor para salvar e defender vidas. Infiltrei-me em quase todas as organizações criminosas. Só faltaram os partidos políticos.

Brasileiros – Como o senhor define o delegado Fleury?
Augusto – Homem de verdade, macho, cumpridor de ordens, hierarquia sempre. Herói nacional.
Brasileiros – Em maio do ano passado, o senhor foi alvo de um protesto da Frente de Esculacho Popular, em Itatiba, no interior de São Paulo, para onde havia sido transferido três meses antes, depois de promovido a delegado de segunda classe. Como foi?
Augusto – Essa manifestação de otários, sócios do clube dos imbecis, me deixou feliz e contente. Lutei e vou lutar sempre pela democracia, pela liberdade de imprensa, de ir e vir, de gritar bem alto: “Cuidado com os Comunistas”, “Eles comem criancinhas”. Eles são covardes, falsos revanchistas, terroristas, ladrões do povo, acostumados ao cárcere, sempre escudados pela frase “Sou preso político”. Assim ganham indenizações.
Brasileiros – Qual foi a reação das pessoas da cidade?
Augusto – Na delegacia, na padaria, no lugar onde eu almoçava, todos foram solidários comigo. Esse esquema do esculacho é do Partido Comunista. Já atuaram assim na Argentina, no Uruguai. É um esquema para desmoralizar as autoridades policiais, para o partido crescer. Quem me conhece, me ama. E acaba me chamando de Carteirinha.
Brasileiros – Tanto os manifestantes que foram a Itatiba quanto presos políticos afirmam que o senhor foi torturador. O senhor torturou?
Augusto – Não, nunca torturei. Mas todo criminoso dá a interpretação dele. Para essa cambada de vagabundos, vadios, ladrões do povo, terroristas, estou torturando até hoje. Se não me respeitassem, não falavam inverdades de mim. Lutei pra isso. Deixa falarem. Depois eu cobro na Justiça, em que confio. Demora, mas ganho sempre.
Brasileiros – E a tortura no DOPS?
Augusto – Não tinha. Não tinha tortura de jeito nenhum.
Brasileiros – Como assim?
Augusto – Posso lhe garantir o seguinte, eu ficava muito tempo fora. Quando estava dentro, nunca vi tortura. Também não consta. Diariamente, a orientação de todos os advogados é para o cliente dizer que foi torturado. Naquela época, os advogados dos terroristas também orientavam nesse sentido. Mas quem está sento torturado agora sou eu. Com 70 anos de idade, sob pressão de bandido.
Brasileiros – O senhor faz aniversário em 1º de abril, o mesmo dia do golpe.
Augusto – Não houve golpe. Vou explicar. O que houve foi contragolpe. Na época, eu não era policial, mas acompanhava pelos jornais. Jânio Quadros foi a Cuba com o vice dele, João Goulart. Voltaram com dinheiro para pagar despesas da campanha política. Os dois. Jango comprometeu-se com Fidel Castro que iria facilitar a implantação do comunismo no Brasil. Essa informação que estou lhe passando agora, o Exército ficou sabendo naquela época. E o povo brasileiro exigiu que o Exército tomasse providência. Jânio Quadros ficou nove meses no poder, sob pressão dos militares, o que ele chamou de forças ocultas. Com a renúncia dele, o vice jamais poderia assumir. Por quê? Porque eles chegaram até a condecorar Che Guevara, o braço direito de Fidel Castro, quando ele veio ao Brasil.
Brasileiros – Quando o senhor estava no DOPS, como era o seu contato com o coronel Brilhante Ustra, do DOI-Codi?
Augusto – Nunca trabalhei numa unidade do Exército. Não tinha contato com o coronel Ustra. Eu o conheci há oito anos, num jantar. Para mim, o coronel Ustra é um herói nacional. Contra a pátria não há direitos. A única falha das Forças Armadas foi não ter aplicado os artigos do Código Penal Militar que preveem julgamento e condenação à morte em caso de guerra. E nós vivemos uma guerra. Uma guerra traiçoeira, porque não existia fardamento de uma das partes.
Brasileiros – E como era o contato com o II Exército?
Augusto – Não era assim. O que existia na época era a comunidade de informações, os órgãos de inteligência. Nas reuniões, participavam as autoridades, os governadores. Aliás, eu fiz a escolta de Laudo Natel (quando ele foi governador eleito de forma indireta, de 1971 a 1975). Fiz também a escolta do promotor Hélio Bicudo. Ele não queria, mas nós saíamos todos correndo atrás dele, para dar proteção.
Brasileiros – Na época em que ele denunciava o Esquadrão da Morte?
Augusto – É. Fiquei na porta da casa dele, passando frio. Ele não teve a dignidade de oferecer um café para os policiais. Quem ofereceu café e o banheiro da empregada para os policiais do DOPS foi um vizinho dele.
Brasileiros – É curioso que justamente o senhor tenha feito a proteção de Hélio Bicudo. Ele acusava Fleury de comandar o Esquadrão da Morte.
Augusto – O doutor Hélio Bicudo estava apurando fatos que não existiam. De qualquer forma, a missão da polícia é proteger a sociedade. Ele está vivo até hoje. Doutor Fleury nunca falou mal do doutor Hélio Bicudo. Nada. Ele estava na função dele, de promotor do Estado. E o doutor Fleury estava na função dele, de delegado de polícia.
Brasileiros – A morte de Fleury foi um acidente? Ou queima de arquivo?
Augusto – Foi realmente um acidente. Nós apuramos tudo. Investigamos cem vezes. Se alguém tivesse praticado esse crime, garanto que também não estaria vivo.
Brasileiros – O senhor se considera um arquivo vivo da ditadura?
Augusto – Não. Se fosse, esses canalhas vermelhos, covardes, já teriam me matado. Eles não querem saber das verdades, aquelas tomadas por juízes, delegados de polícia, promotores de justiça, padres alcaguetes, etc. Essa verdade não interessa a eles, gostam como sempre de ouvir A Internacional. É o hino preferido dos comunistas. E eles são perigosíssimos.

Brasileiros – Mas o senhor acredita que corre perigo?
Augusto – Demais. O único delegado da Polícia Civil que enfrenta esses canalhas, esses bandidos, sou eu. E vou continuar enfrentando. E vou dizer. Vou morrer trocando tiro.
Brasileiros – Está escrevendo um livro de memórias?
Augusto – Só rascunhos, de alguns serviços feitos, no tráfico de drogas, ladrões de autos, sequestros desvendados, mas estou pesquisando no Arquivo Público do Estado de São Paulo (lá está o acervo do DOPS, com 13 mil pastas de dossiês, 150 mil prontuários e cerca de dois milhões de fichas).
Brasileiros – Apenas a Comissão Nacional da Verdade tem poder para convocar depoentes. O senhor aceita prestar depoimento em outra comissão aberta para apurar os crimes da ditadura, como a do Estado de São Paulo?
Augusto – Sendo convocado, não tem outra saída. Sou funcionário público. Mas, como é para falar a verdade à sociedade, tem que ser de público, à noite, com a mídia presente, ao vivo. Tenho de convidar meus amigos, parentes, superiores, Forças Armadas, parentes das vítimas, e ser sabatinado, mas por quatro anos. Só assim a verdade virá à tona.
Brasileiros – Por que à noite? E por quatro anos?
Augusto – Durante o dia, esses bandidos, como foram indenizados, não trabalham mais. Eles já estão ricos. Então, vão em todos os eventos possíveis para falar mal das autoridades policiais. À noite, eu poderia levar os meus amigos e a sociedade. Porque a sociedade é ordeira e gosta de trabalhar. E eles são vagabundos. E não adianta me convidarem para ir à comissão da verdade por quatro horas. Eles querem quatro horas só para humilhar. A história que eu tenho para contar, eu poderia ficar quatro anos falando. Eu quero falar sobre o Partido Comunista, sobre os assassinatos, os justiçamentos que eles fizeram.
Brasileiros – O senhor atuou infiltrado em Recife, em um grupo da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária, de resistência armada à ditadura). É verdade que naquela época participou de uma reunião com o bispo Dom Hélder Câmara (arcebispo, defensor dos direitos humanos)? Como foi?

Augusto – Fiquei infiltrado muito tempo nessa covarde organização terrorista criminosa. Tive várias reuniões com o cardeal, na casa paroquial, em Olinda. Respeito muito Dom Hélder, mas me nego a dizer o que ele instigava.

Brasileiros – No começo de 1973, o senhor estava em Recife, atuando com o codinome César, em parceria com Cabo Anselmo (líder da Revolta dos Marinheiros em 1964, mais tarde espião e delator, a serviço do delegado Fleury). Foi quando seis militantes da VPR foram mortos, em um sítio em Abreu e Lima (PE). O episódio é conhecido como Massacre da Chácara São Bento. O que aconteceu?

Augusto – Procurei cumprir minha missão, que é salvar vidas. A carta veio de Cuba. Por essa ordem vinda de Cuba, um tribunal revolucionário vermelho, composto pelas vítimas, terroristas, havia condenado à morte o herói José Anselmo do Santos, ou Cabo Anselmo, ou Jonathan, ou Daniel. Falei que o apartamento não era lugar para executar ninguém. Disse que eu levava o Cabo Anselmo para a área de guerrilha, porque não era um sítio, era área de guerrilha. Ele estava armado. Entregou a arma. Eu o amarrei.
Brasileiros – E depois?
Augusto – Após o julgamento, saí com o Cabo Anselmo para a execução. Depois, deveria enterrá-lo em local próximo e não sabido, em vala feita pelos marginais do tribunal. Mas, devidamente avisadas, as forças repressoras cercaram a área, para prender os idiotas. Ocorre que um cachorro atacou um policial, que deu um tiro, em vez de uma paulada. Com o barulho, sabendo que não tinham chances, os terroristas reagiram, para não ir para a tortura. Era o que mandava a cartilha do facínora Marighella (Carlos Marighella, líder da ALN, a Ação Libertadora Nacional, que escreveu o Mini-Manual do Guerrilheiro Urbano). Eles fizeram o que aprenderam nos cursos de guerrilha de Cuba. Morrer pela causa e pela revolução. Eles reagiram. Morreram. Eu e o Cabo Anselmo estávamos bem longe do local. Não posso dizer nada sobre os detalhes. Não sei.
Brasileiros – Desde então, o senhor foi uma espécie de protetor do Cabo Anselmo. É assim?
Augusto – Sempre fui pago para proteger a sociedade. Cumpri o meu dever. O Cabo Anselmo deveria ter a proteção do Estado, compromisso assumido na época. Mas os dirigentes do Estado mudaram, deixaram o Cabo Anselmo na mão. Hoje, vive como morador de rua, em algum assentamento do MST ou numa invasão de prédios na capital de São Paulo.
Brasileiros – O vínculo entre os senhores se rompeu em outubro de 2011, depois de ele dar uma entrevista na TV Cultura?
Augusto – Não se rompe afetividade. Gosto dele até hoje. Como homem de verdade, ele evitou muitas mortes, procurou ajudar as autoridades no dever cívico, de brasileiro. Nunca traiu a pátria como esses muitos que estão no poder.
Brasileiros – O próprio Cabo Anselmo assume que delações dele provocaram mais de cem mortes nos grupos de esquerda.
Augusto – Não é assim. Eu vou explicar. Quando ele foi entrevistado pelo Pena Branca (Octávio Ribeiro, o Pena Branca, primeiro jornalista a entrevistar Cabo Anselmo, em 1984, para a revista IstoÉ), a resposta sobre as baixas ficou “não sei, podem ser cem, podem ser 200”. Na verdade, ele não entregou ninguém. Ele estava sob vigilância havia alguns meses. Sabe o Carlos Eugênio da Paz (um dos comandantes da ALN )? Sabe por que ele está vivo? Porque interessava aos órgãos de segurança.
Brasileiros – Mas ele não era informante da repressão.
Augusto – Não. Mas bastava segui-lo para chegar aos contatos dele. Ele não cumpria nenhuma norma de segurança da cartilha do Marighella. Sabe a Tereza Ângelo (guerrilheira da VPR)? Eu a recebi na antiga rodoviária de São Paulo. Ela não sabia, é claro. De lá, ela tomou um ônibus para um ponto (encontro clandestino) em Santo Amaro. Depois retornou para o centro. Entrou na Biblioteca Mário de Andrade. Para entrar lá, tem de deixar a bolsa no guarda-volumes. Eu me identifiquei para o funcionário, peguei a bolsa, fotografei tudo. Ela estava com espelhos de identidades e passaportes falsos. Pelo rádio, me comuniquei com o doutor Fleury. Já tinha passado o número do ticket da mala que ela deixou na rodoviária, que também foi aberta e examinada. Quando saiu da biblioteca, essa moça foi à Polícia Federal, que ficava na rua Xavier de Toledo. Sei com quem ela conversou. De lá, ela voltou para a rodoviária. Quando embarcou, o doutor Fleury passou os dados dela e do ônibus para os policiais do destino. Era só campana, campana, campana. E tinha campana móvel e fixa.
Brasileiros – E a aproximação com o Cabo Anselmo? Como foi?
Augusto – Como sempre, alguém o caguetou. A informação inicial veio do meio deles. Depois das investigações, as campanas se desenrolaram. Passamos a acompanhá-lo. Como estava só, levou o bote.
Brasileiros – O senhor também atuou infiltrado no movimento sindical do ABC. O que apurou?
Augusto – Não é só isso. Atuei no Estado, chefiava a Delegacia de Sindicatos e Associações de Classe do DOPS. Fiz curso de sindicalista, no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, quando o presidente era o Joaquinzão (Joaquim Andrade dos Santos, símbolo do peleguismo durante a ditadura). Não aceitei o certificado expedido, optei pela Polícia Civil de São Paulo, com quem casei e fui traído. Se eu tivesse optado pelo sindicalismo, com a experiência de investigador de polícia, tenho certeza de que seria hoje um ministro mais qualificado do que os que estão nos governando. Pelo menos na honestidade.
Brasileiros – Em um processo na Justiça Federal, o senhor é acusado de participar do desaparecimento de Edgar de Aquino Duarte, corretor da Bolsa de Valores de São Paulo. Segundo o Ministério Público, o senhor participou da prisão dele, em junho de 1973. Como foi?
Augusto – Não tem nenhuma prova de que eu tenha prendido esse cidadão. Não tem porque não existe nem o fato, muito menos a prisão.
O que vem acontecendo há mais de 15 anos são boatos, mentiras dos covardes, terroristas que inventam coisas sobre minha pessoa. São tão otários que estão me promovendo, promovendo meu nome, minha coragem, minha habilidade profissional.
Brasileiros – A antiga sede do DOPS hoje abriga o Museu da Resistência. O senhor já foi lá?
Augusto – Fui na inauguração e assinei o livro de presença. Aquele prédio é um prédio histórico. Achei muito bem aproveitado. Uma coisa até bacana. Só que deviam mostrar a verdade. Antes, ali era uma família, todos se respeitavam, eram muito solidários.
Brasileiros – O que acontece quando o senhor coloca a cabeça no travesseiro? O senhor dorme tranquilo?
Augusto – Além de dormir tranquilo, acordo sempre feliz por ter cumprido minha missão à altura do que o povo merece. Fiz o meu dever.

Crédito das fotos: Rodrigo Capote.

SALVE 31 DE MARÇO DE 1964

sexta-feira, 14 de março de 2014

Lula não vai abrir a boca?

Artigo trancrito do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Márcio Accioly

Quem lê “Assassinato de Reputações: Um Crime de Estado”, de autoria de Romeu Tuma Jr., fica sem entender as razões de o Brasil ainda funcionar, sob a gestão de tantos bandidos e governado por sicofantas dos mais cínicos e desmoralizados! Pior de tudo é ver que as seriíssimas denúncias ficam soltas no ar. Há anos as nossas “autoridades” conduzem o país para banho de sangue sem precedentes!

No capítulo 4 do inacreditável livro, intitulado “Lula: Alcaguete e Aprendiz do Dops”, Tuma Jr. traça um perfil do ex-presidente que em qualquer nação do mundo seria motivo de insuperável ignomínia. Apesar disso, até hoje Lula da Silva não se dignou responder seu algoz, calando-se de forma a corroborar malfeitos e crimes que lhe são imputados, como se não tivesse a obrigação de se posicionar diante dos fatos.

O velho Romeu Tuma (já falecido) era descendente de sírios e delegado de polícia civil em São Paulo (concursado). Elegeu-se senador por aquele estado. No livro Habeas Corpus, editado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República (janeiro de 2011), é dito que o então delegado “participou ativamente na ocultação de cadáveres de militantes assassinados sob tortura”.

Não existe registro de nenhuma acusação de tortura ou prática de corrupção que comprometa a biografia do falecido policial, cujo filho homônimo seguiu os mesmos passos. Os dois sempre foram considerados policiais disciplinados, criteriosos, formados numa linha que prima pela investigação séria e obedecendo aos ditames da lei. Tudo que Tuma Jr. relata no livro é respaldado por documentos que serão ainda acrescidos a um segundo volume em fase de elaboração.

Pois bem: O que é dito neste primeiro volume é que Lula levava informações ao Dops sobre os seus companheiros de luta dentro do sindicato, levantando detalhes de características pessoais, anunciando o que se discutia em assembleias, encontros e reuniões. Apontava os mais “perigosos” e que medidas tomar para evitar dano ao patrimônio das empresas, no caso de se perder o controle de manifestações.

Lula era espécie de José Genoíno da Guerrilha do Araguaia, que entregou todos os seus companheiros de luta armada e somente ele escapou de ser morto. Com relação a Luiz Gushiken (acusado e livrado pelo STF no processo do mensalão), ele dizia ser “o mais arredio, o mais preocupante, um verdadeiro louco incontrolável, o que merecia mais atenção”.

Nem parece o Lula que emitiu nota de pesar quando da morte daquele que chegou a ser o seu ministro-chefe da Secretaria de Comunicação e Gestão Estratégica, revoltado com “falsas acusações” que lhe teriam sido assacadas por pessoas mal intencionadas. Mas nada disse do tempo em que delatava o antigo ajudante no DOPS. O livro de Tuma Jr. é imperdível e tem sido vendido como farinha.

Lança réstia nas trevas de país subjugado pela ignorância, pelo desconhecimento dos mínimos valores morais e pela ausência de convicção nos direitos individuais. Um país onde o PT, em qualquer eleição, sai à frente com índice de preferência que quase supera os demais, por conta da compra escancarada de votos através de bolsas-esmolas, elas próprias já denunciadas, à exaustão, pelo seu chefe, Luiz Inácio Lula da Silva.

Assassinato de Reputações é leitura obrigatória para todos os que desejam compreender horripilante faceta dos meandros da burocracia de um país sempre do futuro. Saber como é fácil, num lugar sem alma e sem majoritário pudor decisório, um grupo de bucaneiros dos mais cruéis assaltar os mais altos postos e ditar normas e regras, empregando com irrefreável vigor a mais desmoralizante prática de domínio e usufruto de um Estado patrimonialista. Quando dar-se-á um basta a tudo isso?



Márcio Accioly é Jornalista.

domingo, 2 de março de 2014

MORREU HUBER MATOS, VERDADEIRO HERÓI CUBANO


Artigo de Percival Puggina - Transcrito da Tribuna da Internet

Morreu em Miami, aos 95 anos, Huber Matos Benítez, revolucionário cubano de 1959. Ele foi o primeiro a passar pelo infindável martírio que a adesão de Fidel ao marxismo-leninismo, posterior à sua malfadada revolução, impõe ao povo de Cuba. Presto minha homenagem a esse valente cidadão, verdadeiro herói, com todos os méritos e dores inerentes a tão qualificador substantivo. Em reverência a ele transcrevo um trecho do meu livro “Cuba, a Tragédia da Utopia”.
***
São vários os casos emblemáticos na caminhada de Fidel sobre cadáveres rumo ao poder absoluto, sempre secundado pelo mano Raul. Um deles é o do comandante Hubert Matos. Na hierarquia revolucionária não havia coronéis nem generais. O posto máximo era o de comandante. Huber Matos entrou em Sierra Maestra e em combates que se seguiram, após intermediar uma operação considerada decisiva para a vitória de Fidel: o fornecimento de armas e munições, em meados de 1958, para a arremetida final contra o exército de Batista. Ganhando o posto de comandante e contando com a confiança de Fidel, passou a divergir dele quando percebeu o alinhamento comunista de seu líder. Ele relata sua amarga experiência no livro “Como llegó la noche”.
Ainda em janeiro de 1959, Fidel o declarou como o terceiro homem da revolução. Na ocasião, os principais comandantes eram Fidel, seu irmão Raul, Che Guevara, Camilo Cienfuegos e Huber Matos. O próprio Matos se declarou surpreso com a designação que recebeu: “Primero estoy yo, luego Raúl y después estás tú”. Com efeito, Fidel não tinha muita confiança no equilíbrio de Che, Raul tinha ciúmes de Che e ambos desdenhavam Camilo, a quem consideravam um tipo boêmio com pouca rigidez de espírito (embora tivesse grande apelo popular, o que desagradava profundamente o Líder Máximo).
Matos relata que certa feita, ainda nos primeiros meses de 1959, após visitar uma obra no porto de Havana onde Fidel falou aos operários, retornando os dois pelo Malecón, perguntou ao chefe sobre seus planos para concretizar a promessa de participação dos operários nos resultados das empresas. E Fidel lhe respondeu: “No Huber, eso no lo podemos hacer, porque si propiciamos que los trabajadores tengan independencia económica, de ahí a la independencia política no hay más que un paso. No podemos!”.
Diante do que estava percebendo, Matos enviou a Fidel uma carta pessoal, apontando divergências e afirmando que não tinha qualquer intenção de criar problemas para a revolução. Na carta, pedia seu afastamento, em caráter irrevogável do posto de comando que detinha em Camaguey. Foi o que bastou para ser levado a julgamento por alta traição em outubro de 1959.
Fidel compareceu pessoalmente ao julgamento para acusar seu antigo companheiro, tomando como base de acusação o fato de que a notícia da renúncia de Matos circulava abertamente na província que ele dirigia e suscitava reações de antagonismo à revolução entre os soldados. A leitura da ata da sessão é uma evidência dos critérios partilhados pelos tribunais revolucionários. Matos é acusado de voltar atrás de seu juramento de lealdade, de atingir com sua renúncia o vigor da revolução, de tentar destruir com seu gesto o patrimônio simbólico  e espiritual da revolução. Resumo da missa: condenado a 20 anos de prisão”. 
***
Huber Matos cumpriu integralmente essa sentença, do primeiro ao último dia, por ordem do canalha que há mais de meio século infelicita a nação cubana e recolhe tanto apreço do aparelho político-partidário que governa nosso país.

IMPUNIDADE É ISSO: VITÓRIA DO CRIME

Artigo Transcrito do Alerta Total -  www.alertatotal.net
Por Ernesto Caruso
Impunidade costurada. No primeiro julgamento de formação de quadrilha, quatro votos favoráveis aos quadrilheiros dentre os onze ministros do STF/2013, que entendera haver o crime de quadrilha, como a sociedade de um modo geral a sentira por conta da impossibilidade de que desvio de recursos de tal envergadura a beneficiar o governo petista, não impusesse elevado grau de coordenação e controle na estrutura da organização criminosa, dividida nos núcleos político, publicitário e financeiro, fartamente comentado pelos ministros e imprensa. Comparável ao padrão FIFA/Copa do Mundo e não ao SUS, inferno e purgatório do povo a mendigar assistência médica.
Já no STF/2014, STF do B, por 6 votos a 5, simplesmente, não houve quadrilha. Em ano de Copa, a seleção virou time de várzea, pelada, mesmo envolvendo 153 milhões de reais. Votaram pela absolvição dos réus, os ministros Luís Barroso, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Teori Zavascki e Rosa Weber. Por acatarem a formação de quadrilha votaram os ministros Luiz Fux, Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Celso de Mello e Joaquim Barbosa.
Incompreensível constatar que quatro votos contra sete tiveram mais força do que os cinco atuais contra seis, tendo o processo chegado a essa fase graças ao voto do ministro Celso de Mello no célebre desempate (estava 5 x 5) em favor da aceitação dos embargos infringentes; ambiguidade entre o que determina a lei e regimento interno da Corte.
Hoje, paira o descrédito na Justiça no mais alto nível que parecia ao público agir contra impunidade. Quadrilha a olhos vistos, impossível não combinar acertos com tanta gente envolvida, cidades distantes e objetivos comuns.
Aquele voto fatídico de Celso de Mello, o resultado escabroso desta feita e o seu pronunciamento passado, “Este processo revela um dos episódios mais vergonhosos da história política de nosso país, pois os elementos probatórios que foram produzidos pelo Ministério Público expõem aos olhos de uma nação estarrecida, perplexa e envergonhada, um grupo de delinquentes que degradou a atividade política, transformando-a em plataforma de ação criminosa...”, não se harmonizam com a lógica. O decano foi o grande culpado e não acreditou na ideologia dos novos ministros que demonstraram a que vieram.
O ministro Joaquim Barbosa adverte e faz menção a uma maioria de circunstância para alterar as condenações. "Temos uma maioria formada sob medida para lançar por terra o trabalho primoroso desta Corte no segundo semestre de 2012. Isso que acabamos de assistir. Inventou-se um recurso regimental totalmente à margem da lei com o objetivo específico de anular a reduzir a nada um trabalho que fora feito. Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira de que esse é apenas o primeiro passo. É uma maioria de circunstância que tem todo o tempo a seu favor para continuar sua sanha reformadora."
A sociedade já está estupefata diante de um Congresso sob as rédeas do governo e da ditadura dos partidos políticos. Repudia um Judiciário tipo chavista, maduro, quase podre.
Ernesto Caruso é Coronel reformado do EB.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

OS BLACK BANDIDOS

Artigo de Sebastião Nery
Transcrito da Tribuna da Imprensa

Morto Lampião, Ângelo Roque, o “Labareda”, cangaceiro, terceiro na hierarquia do bando, logo depois de Virgulino e Corisco, entregou-se às autoridades de Geremoabo, no sertão da Bahia. Foi a Júri. Tarcílo Vieira de Melo, o promotor, depois líder de Juscelino na Câmara Federal, acusou-o com agressividade. Oliveira Brito, Juiz, depois ministro do governo João Goulart, chamou-o de “desordeiro”.Labareda” levantou-se do banco de réu:
- Desordeiro, não. Os senhores me respeitem. Não sou um desordeiro, sou um cangaceiro. Não fui pegado no mato. Cheguei aqui de armas na mão, com minha cara limpa, meu corpo e minha vontade e me entreguei, confiando na palavra das leis.
Ninguém mais o agrediu.
LABAREDA
“Labareda”, pequenininho e valente, não disse mais palavra. Quando acabou tudo, condenado, ele se queixou ao meu amigo o  tenente e advogado João Nô, que o prendera nos sertões da Bahia:
- Tenente, perdi meu tempo no cangaço. Eu pensava que a pior coisa deste mundo era soldado de polícia. Passei a vida empiquetando (emboscando) soldado de polícia  Hoje, chego aqui preso, os soldados me tratam bem e  não disseram uma palavra contra mim. Mas aquele promotor falador e aquele juiz magrelo me disseram tudo quanto foi desaforo. Se eu soubesse, tinha passado meu cangaço empiquetando promotor e juiz.
LAMPIÃO
Cangaceiro era desordeiro, era criminoso, mas tinha caráter. Lutava com a cara de fora. Jogava a vida nas estradas.
Não viviam  escondidos atrás de máscaras, como esses black blocs nazifascistas, andróginos, sem ideologia e sem projeto, cuja histeria é sair quebrando tudo, janelas  e vitrines comerciais, sinais de trânsito e placas de rua, prédios públicos e privados, seculares monumentos nacionais, Palácios, sedes de Governo, Câmaras e Assembleias.
OAB E SEPE
Causa espanto, vergonha e asco ver entidades que têm deveres com a Nação, como a OAB, SEPE (Sindicato de Professores), jornalistas experientes, vereadores, deputados, partidos políticos, como babás do mal, acoitando, defendendo, protegendo, tentando justificar  esses covardes bandidinhos de capa preta.
Em alguns países vivi, em outros estive, onde fascismo e nazismo, brutais ditaduras, começaram. E começaram sempre assim: blocos de ataque escondendo-se atrás de roupas pretas, bonés e mascaras pretas,calças e camisas pretas ou marrons. E cabeças rolando nas avenidas ensanguentadas.
Levianamente desvairadas elites levam suas irresponsabilidades  e malditos interesses até um dia acordarem e não dá mais tempo. Seus filhos e netos levantarão muros e museus para chorarem o passado.
IMPRENSA
Escrevi essa coluna  ai em 22 de outubro de 2013. Em nenhum instante deixei-me enganar pelo vandalismo dos black blocs.
Surpreendia-me a estranha ingenuidade ou má fé de alguns colegas da imprensa, a serviço não sei de quem, mas evidentemente daqueles que tinham interesse em detonar as manifestações populares com as máscaras e  botas pretas. O nome deles era óbvio: capitães do mato do governo.
Agora estamos todos aqui desolados com o assassinato do Santiago.
HELOISA
Sempre brilhante e lúcida, a jornalista e escritora Heloisa Seixas pôs o dedo na ferida, em artigo no “Globo”:
“- Os black blocs, ou seja lá  que nome tenham, vinham dando sinais nos quais devíamos ter prestado mais atenção: havia  tintas de neonazistas no comportamento deles, inclusive na hostilidade à imprensa…
Poucos de nós, na imprensa, tivemos coragem de escrever contra eles com a força necessária… Melhor ficarmos quietos, em nome da democracia. Em nome do direito à livre manifestação – mesmo com bombas e pedras. E agora estamos assim, como meu amigo da Bandeirantes. Com esse nó na garganta, essa pergunta presa no peito: será que nosso silêncio constrangido nos faz cúmplices na morte de Santiago?

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A MARCHA DO REVANCHISMO E DA IRRACIONALIDADE


Artigo Transcrito do Blog  Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Rômulo Bini Pereira

A Revolução Democrática de 31 de Março completa 50 anos este ano e já se observa elevado número de reportagens e artigos sobre esse fato histórico. Nesse diapasão, nas esferas federal, estaduais e até municipais avultam as diversas Comissões da Verdade criadas no País, a levantarem fatos que vão repercutir na opinião pública com uma visão num só sentido. Seu escopo maior é denegrir o fato histórico, cujo combustível veio do coração nacionalista do povo brasileiro no limiar do outono de 1964. Ao passo que os crimes cometidos pelas esquerdas radicais são nefanda e irresponsavelmente acobertados por essas comissões.
A atual "presidenta" da República, que participou ativamente da luta armada, em recente visita à paradisíaca Ilha de Cuba demonstrou ao mundo sua prestimosa submissão ao líder comunista Fidel Castro. Esse seu ato mostra que, se a revolução não fosse vitoriosa, estaríamos sob a vigência de uma "democracia sanguinária", semelhante à que ainda escraviza e aterroriza o povo cubano.
Após 30 anos da Nova República e de cinco governos civis, notam-se análises negativas quanto ao presente e ao futuro do Brasil. Os três Poderes da República, base de todo regime democrático, vivem hoje momentos sensíveis e preocupantes - corrupção e mordomias em todos os seus níveis.
O Legislativo é a instituição mais desacreditada, segundo pesquisas confiáveis. Legisla quase sempre em favor dos direitos, mas nem sempre se lembra dos deveres. O interesse nacional é secundário e, em consequência, temas de capital importância para o Brasil são postergados, só pelo simples fato de que podem trazer reflexos indesejados nas urnas.
O Judiciário passou a ser a esperança dos brasileiros por ter-se sobressaído sobremaneira no processo conhecido como mensalão, conduzido pela Suprema Corte. Esta, em seus debates, demonstrou, entretanto, que há áreas de atritos de cunho ideológico e partidário entre seus membros. Não fossem a morosidade no julgar e os longos trâmites nos processos jurídicos, seu conceito seria mais positivo.
O Executivo passa por sérias dificuldades, pois a "presidenta" demonstra ser incapaz de governar com seriedade, equilíbrio e competência. Diante de qualquer obstáculo, convoca especialistas em propaganda e marqueteiros para que façam diminuir ou mascarar os pontos negativos que poderão surgir, pois só o que ela e seu partido querem é conseguir a reeleição. Em relação à política externa, o anseio do governo é fazer o Brasil ter uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. e isso está afastado. Nosso país está sendo ridicularizado em todo o mundo por tantos escândalos. País assim não pode postular distinção de tamanha expressão mundial.
Nos dias atuais o País vive momentos conturbados, que se vêm agravando desde os surpreendentes movimentos populares de junho de 2013. A Copa do Mundo traz efetivas preocupações ao povo brasileiro.
Manifestações ininterruptas conduzidas por vândalos transformaram algumas cidades, principalmente as capitais, em verdadeiras praças de guerra. Os "rolezinhos", já bastante disseminados, trazem em seu bojo indícios de luta de classes. A criminalidade já é endêmica entre nós e isso faz com que não mais sejamos vistos como um povo pacífico e cordato. Nossos índices de crimes anuais já atingem a cifra de 50 mil mortos/ano, próximos aos de países onde há guerra civil.
As autoridades constituídas pouco fazem para reverter essa situação. Propalam promessas vãs, são incompetentes, demonstram desinteresse e má-fé. Seu aparato policial está sempre pressionado, pois suas ações são consideradas agressivas. As soluções não surgem e o País vive uma situação de descalabro político e moral, com manifestos sinais de incipiente desobediência civil. É essa a democracia que desejamos?
Finalmente, um enorme paradoxo. As Forças Armadas continuam sendo a instituição de maior credibilidade no País, e isso é se deve não apenas à eficiência, à noção de responsabilidade, ao trato da coisa pública, mas, sobretudo, aos valores morais que são cultivados em todos os seus escalões. A honestidade, a probidade, a disciplina e o empenho no cumprimento da missão são algumas virtudes que norteiam as Forças Armadas e que deveriam também ser exercidas pelos diversos mandatários dos governos de nosso país. O que, infelizmente, não ocorre.
Na área militar nota-se ainda repulsa aos atos das citadas comissões. Ela é flagrante, crescente e de silenciosa revolta. Pensam que os integrantes das Forças Armadas - quietos, calados e parecendo subservientes - assistem passivamente aos acontecimentos atuais com sua consciência adormecida. Não é bem isso que está acontecendo!
As esquerdas sempre alardeiam que os "militares de hoje" não são como "os de 1964". Sem dúvida! Aqueles, mais preparados cultural e profissionalmente e mais informados que estes, mantêm, contudo, bem viva a mesma chama que seus predecessores possuíam e lhes legaram: o amor à liberdade, aos princípios democráticos, à instituição e ao Brasil. Também não aceitarão e, se necessário, confrontarão regimes que ideólogos gramscistas queiram impor à sociedade brasileira, preconizados pelo Foro de São Paulo, órgão orientador do partido que nos governa e de alguns países da América do Sul que se dizem democratas.

Mesmo sendo vilipendiada, devemos saudar a Revolução Democrática. É voz geral entre os esquerdistas que 64 jamais será esquecido. Ótimo, nós, civis e militares que a apoiamos, também não a esqueceremos. A Revolução de 1964 será sempre uma "árvore boa"!

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

MÉDICA CUBANA DESERTA E PEDE REFÚGIO EM GABINETE DO DEM

Materia Transcrita da Coluna do conceituado jornalista Reinaldo Azevedo – Portal da VEJA
Ronaldo Caiado deu abrigo a ex-integrante do Mais Médicos que alega estar sendo perseguida pela PF e diz ter medo de ser mandada de volta para Cuba
Marcela Mattos, de Brasília
O deputado federal Ronaldo Caiado (DEM-GO), um dos principais opositores ao programa Mais Médicos, levou uma médica cubana ao plenário da Câmara nesta terça-feira para denunciar uma possível perseguição da Polícia Federal à estrangeira. O DEM deve pedir ao governo brasileiro a concessão de asilo político. Enquanto isso, a médica vai morar no gabinete da liderança – a PF não tem autorização para entrar no Congresso caso haja algum pedido de prisão.
A cubana Ramona Matos Rodriguez, de 51 anos, afirmou ter "se sentido enganada" após ter tomado conhecimento de que recebia menos que os colegas de outras nações, o que a motivou a fugir de Pacajá, no Pará, onde trabalhava desde outubro. A médica diz ter deixado a cidade no último sábado. Ela não explicou, porém, como chegou a Brasília nem como fez contato com o deputado goiano, que promete abrigo.
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"Comuniquei ao presidente da Câmara que ela está aqui e exigimos segurança. Vamos ceder o espaço físico do gabinete a quantos cubanos quiserem vir", disse Caiado, que também é médico. A cubana, que diz ter medo de ser presa e enviada de volta ao regime ditatorial de Cuba, afirma que estava sendo monitorada pela Polícia Federal brasileira e que teve o telefone grampeado.
O Mais Médicos, programa do governo federal de 'importação' de profissionais para dar atendimento nos rincões do Brasil, estabelece uma bolsa de 10.000 reais para os participantes – estrangeiros ou não. Apenas os cubanos têm salário diferenciado, já que parte da remuneração é injetada no regime dos irmãos Castro. A médica disse receber 400 dólares mensais, enquanto outros 600 dólares seriam depositados em uma conta em Cuba, recurso que poderia ser retirado ao retornar ao país. O restante do dinheiro da bolsa, cerca de 7.500 reais, vai para o governo cubano.
Reinaldo Azevedo: Contrato de médica pode ser indício de caixa dois eleitoral

Caiado apresentou o contrato da cubana firmado pela Sociedade Mercantil Cubana Comercializadora de Serviços Cubanos – o governo brasileiro anunciou contratação via Organização Pan-americana da Saúde (Opas), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS). O deputado pede esclarecimentos sobre o formato usado para os cubanos chegarem ao Brasil. 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

TUMA JR. BALANÇA A REPÚBLICA, CONFIRMA QUE LULA ERA INFORMANTE DO DOPS E DIZ QUE POSSUI PROVAS SOBRE TODAS AS DENÚNCIAS

TRANSCRITO da Tribuna da Internet


Carlos Newton
O programa Roda Viva começou morno, mas foi enquentando no decorrer do período, até começar a cozinhar o PT, Lula, Gilberto Carvalho, Dilma Rousseff e companhia limitada. No final, a panela de pressão estava realmente fervendo, e o ex-secretário nacional de Justiça e ex-delegado federal Romeu Tuma Jr. aproveitou para anunciar que está escrevendo o segundo livro da série “Assassinato de Reputações”.
Entre os entrevistadores, dois estavam a favor dele – o apresentador Augusto Nunes e o colunista Ricardo Setti, do site da Veja. Os demais estavam flagrantemente tentando demolir Tuma Jr., que pesa uns 120 quilos e é duro na queda. Os jornalistas Mário Cesar Carvalho, da Folha, Eugenio Bucci e Fernando Barros, ambos do Estadão, e a historiadora Cristine Prestes tentaram fustigar o entrevistado, mas ele absorveu bem os golpes e respondeu de forma irrefutável as perguntas, portando-se com muita firmeza.
No início, o programa foi uma chateação, porque o entrevistado só se preocupava em explicar a montagem das acusações contra ele no episódio da chamada máfia chinesa. E tanto fez que acabou demonstrando que realmente foi vítima de uma armação. No final, Tuma Jr. conseguiu fazer um estrago na reputação de muitos petistas, especialmente Gilberto Carvalho e Lula.
NINGUÉM PROCESSA…
O programa começou com o apresentador Augusto Nunes afirmando que Tuma Jr., no livro, faz pesadas acusações contra importantes autoridades brasileiras. E perguntou se o ex-delegado já está sendo processado por alguém que tenha sido alvo de suas denúncias.
Tuma Jr. respondeu que até agora ninguém o processou. “O que houve é que fizeram ameaças a mim e a minha família, mas processo mesmo ninguém abriu”, assinalou, explicando que nenhum dos acusados deve processá-lo porque isso daria margem à abertura de uma investigação judicial, na qual ele poderia apresentar provas da veracidade de suas denúncias.
Em seguida, Mário César Carvalho lembrou o caso da máfia chinesa, e Tuma Jr. passou a explicar esse episódio, que foi o grande motivo para a preparação do livro, destinado a reparar os danos à sua imagem de homem público.
O segundo entrevistador, Ricardo Setti, puxou o assunto do assassinato de Celso Daniel, mas Tuma Jr. continuou falando sobre a armação que fizeram contra ele, grampeando seus telefonemas durante dois anos e depois vazando para a imprensa seu suposto envolvimento com criminosos.
“No único grampo divulgado, eu apareço falando com o denunciante do caso, mas fizeram parecer na imprensa que eu estava me comunicando com algum integrante de uma quadrilha”, explicou, dizendo que não existia a tal máfia chinesa, nunca abriram inquérito contra ele e o depoimento que prestou à Polícia de São Paulo simplesmente sumiu.
ESTADO POLICIAL
O entrevistador seguinte, Eugenio Bucci, perguntou sobre as irregularidades na Polícia Federal denunciadas no livro. Tuma Jr. então confirmou as acusações, dizendo que o Brasil está vivendo num Estado policial, que não pode continuar. Disse que a Polícia Federal está “instrumentalizada” pelo governo e tem extrapolado suas obrigações, ao usar seus serviços de inteligência com objetivos partidários, para prejudicar adversários políticos.
Logo depois, Fernando Barros perguntou sobre o caixa 2 da prefeitura de Santo André e o envolvimento do ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência da República. Indagou se Tuma Jr. tem provas das acusações.
O ex-delegado confirmou rapidamente as denúncias, dizendo que Carvalho era mesmo o encarregado de recolher a propina. E voltou a se defender das acusações sobre a tal máfia chinesa.
A entrevistadora Cristine Prestes insistiu em indagar se Tuma Jr. tem provas, pois isso não ficara claro na resposta anterior dele a Fernando Barros. Para variar, o entrevistado continuou dando mais detalhes sobre a armação feita a propósito da máfia chinesa e disse que pediu para ser investigado na Comissão de Ética do Planalto, onde foi considerado inocente por unanimidade. Por fim, a respeito das provas, disse apenas que apresentará os documentos assim que alguém ousar processá-lo.
CENTRAL DE DOSSIÊS
Depois do intervalo, Augusto Nunes indagou se a “central de dossiês” denunciada no livro continua funcionando.
“Bem, não estou mais lá, mas acredito que ainda estejam fazendo isso, porque continuam realizando investigações irregulares através do Serviço de Inteligência da Polícia Federal”, comentou. Disse que, na época em que constatou essas distorções, chegou a alertar o ministro da Justiça Tarso Genro, que lhe respondeu que isso era normal.
O ex-delegado disse então que Polícia federal está instrumentalizada pelo governo e tem usado poderes de polícia judiciária, fazendo inquéritos sigilosos, sem dar acesso aos advogados das pessoas investigadas e agindo movida por interesses político-partidários.
GRAMPO NO SUPREMO
Em seguida, Mário Cesar Carvalho tentou desmentir Tuma Jr. sobre o grampo no Supremo contra Gilmar Mendes e outros ministros. Disse ter entrevistado o agente da Polícia Federal citado no livro, que lhe negou ter ido a Brasília atuar no STF. A essa altura do programa, parecia que pela primeira vez algum dos entrevistadores enfim conseguira derrubar uma das acusações do ex-secretário nacional de Justiça.
Mas Tuma Jr. se saiu bem. Confirmou que houve mesmo os grampos no Supremo e disse que o agente da Polícia Federal mentiu ao ser entrevistado por Carvalho. Para provar, exibiu um documento de requisição de passagem para Brasília em nome do tal agente. Depois, assinalou que a Polícia Federal grampeou não somente os telefones fixos do Supremo, como também os celulares dos ministros.
CASO CELSO DANIEL
Aí o programa esquentou de vez, porque Tuma Jr. então se alongou sobre assassinato de Celso Daniel em 2002, quando era prefeito de Santo André e coordenava a campanha de Lula.
O ex-delegado disse ter feito fotos do cadáver de Celso Daniel, mostrando que ele sofrera tortura, porque havia marcas nas costas. Assinalou ter conseguido desvendar o crime e até fez um acordo de delação premiada com o suposto assassino, mas no dia seguinte ele foi morto na cadeia, antes de prestar depoimento.
“Depois disso, fui afastado do caso, sob alegação de que o inquérito seria conduzido por uma delegacia especializada”, ironizou.
E confirmou que o hoje ministro Gilberto Carvalho era o encarregado de receber a propina da Caixa 2 da Prefeitura de Santo André, dizendo que isso lhe foi revelado pessoalmente por Carvalho, em 2010, e o ministro chorou ao lhe fazer tal confissão.
ACUSAÇÕES A LULA          
Lula sendo preso
No final vieram as acusações ao ex-presidente Lula, que eram aguardadas desde o início do programa. Tuma Jr. disse que foi nomeado para a Secretaria Nacional de Justiça na cota pessoal de Lula, a quem conhecera como líder sindical no regime militar, quando trabalhava no DOPS e Lula era informante e muito ligado ao seu pai, o então delegado Romeu Tuma, que depois entrou na política e virou senador.
Garantiu que Lula sempre foi próximo aos militares e citou um episódio ocorrido numa reunião, quando a advogada Terezinha Zerbini, fundadora do Movimento Social pela Anistia, defendia os direitos de militantes metalúrgicas perseguidas pelos militares e Lula cassou-lhe a palavra.
Disse que as fotos de Lula sendo preso mostram bem sua ligação com os militares e com o DOPS, porque registram que o então líder sindical foi conduzido no banco de trás da viatura policial, sentando junto à janela, com o vidro aberto e fumando, uma situação inadmissível se ele fosse um preso qualquer.
Assinalou que Lula passou muitas informações aos policiais e disse que tudo está bem documentado, porque os arquivos do DOPS foram preservados. “Lula tem muitas revelações a fazer”, ironizou Tuma Jr., desafiando: “Abram os arquivos do DOPS! Abram os arquivos!”.
Depois, falou também sobre o caso Rosegate, que envolve a namorada secreta de Lula, Rosemary Noronha, e comentou que a Polícia Federal ficou mal no episódio, que teria “capítulos hollywoodianos”. E por fim, disse que está escrevendo o segundo livro, dando a entender que os documentos serão publicados nesta próxima edição.